Como resgatei meu filho para o Brasil - ADVOCACIA MF EJCHEL

Como resgatei meu filho para o Brasil

Consegui resgatar meu filho para o Brasil  por meio de um processo complicado e desgastante para mim como mãe.

Meu filho Damien tem hoje sete anos de idade e nasceu na Alemanha. Naquele tempo eu estava trabalhando em um bar em Stuttgart e conheci o pai dele, casamos e fomos morar juntos.

Fiquei gravida do Damien, o amor da minha vida.

O Damien era um menino muito ativo. Mas o convívio entre eu e o pai começou a piorar muito.

Ele me agredia e ofendia todo dia. Fui na delegacia, mas o pai jurou que iria melhorar. Até me levou pra conhecer os parentes dele em Maulbronn.

Em Setembro de 2013 voltei  para casa tarde e meu filho e o pai tinham sumido.

Fui na policia de novo que nem ligou para o meu caso. Me xingaram de nomes e de outras coisas que prefiro nem repetir aqui.

Desperada, consegui falar com a prima dele de Maulbronn que me contou que ele tinha levado o Damien para a casa dos pais dele no Libano.

Meu terror foi tanto que pensei em me matar, mas meu filho não merecia isso.

Prometi que faria tudo para trazer o meu filho de volta.

Fui ao Consulado Brasileiro e em um monte de repartições na alemanha, fui no BAMF em Dresden, ate na Interpol. Só que nada funcionava, quase nao falo alemão e estava muito nervosa.

Voltei para o Brasil no final do mês e fui morar com minha madrinha em São Paulo.

Segui procurando até que localizei o pai dele no Facebook. Mandei mensagem atrás de mensagem e ele acabou respondendo. Implorei muito pra ver meu filho, mas o pai parecia outra pessoa, não deixava ver o Damien nem pela camera do computador, até que concordei com as exigência de ir morar com ele no Libano.

Eu peguei empresado dinheiro com algumas pessoas de São Paulo e com minha madrinha. Parti pro Libano atrás do meu filho.

Quando encontrei meu filho ele chorava e em abraçava e pedia pra levar ele embora.

Ai começou meu segundo problema, vi que a viajem ao Libano não teria volta.

Ele me proibiu de sair de casa, de ligar para a minha madrinha ou ir a qualquer lugar, como se fosse uma prisioneira.

Novamente ele voltou a me surrar e humilhar, inclusive me ameaçando de morte. Descobri que infelizmente no Libano a Lei só vale para os homens.

Quase um ano depois de ir para o Libano tive um oportunidade de ficar menos vigiada por causa de um feriado religioso.

Peguei o Damien e fugimos com a roupa do corpo .

Passamos por uma faixa da fronteira que era um lugar muito perigoso não controlado pelo governo e conseguimos atravessar para a Israel com o Passaporte Brasileiro.

La fomos ajudados por uma entidade de refugiados e após alguns dias consegui que o Consulado nos repatriasse para o Brasil.

O nosso retorno para o Brasil foi um sonho que se cumpriu. Voltei a vida do lado do meu filho, consegui arranjar um emprego e nossa vida voltou ao normal.

Um dia recebi uma notificação do Pai me acusando de sequestrar e pedindo a Advocacia-Geral da União a guarda  do Damien.

A Advocacia Geral da União iniciou um processo me acusando de sequestro internacional interparental e pedindo na Justiça que desse a guarda dele ao Pai. Isto mesmo, a procuradoria brasileira

E meu pesadelo não acabou porque descobri que o pai estava no Brasil atrás do Damien.

Não sabia o que fazer. Comecei a buscar ajuda, pedir um advogado quando um milagre aconteceu, me indicaram um advogado muito bom que assumiu a minha defesa no processo.

Minha sorte foi o comprometimento dele, que disse que iria fazer tudo que tivesse ao seu alcançe para proibir que meu filho fosse levado do Brasil.

Porem saiu a sentença e a Justiça Federal determinou a apreensão do Damien e sua entrega ao Pai. Meu filho implorava: “Por favor mamãe, não me abandona”.

Meu o advogado não desistiu, recorreu ao TRF, que anulou a sentença do juiz.

O Pai já estava na porta de casa para buscar o Damien quando o meu advogado apareceu acompanhado de um Oficial de Justiça com uma ordem do Procurador da República proibindo ele de levar o Damien pro Libano.

Após todo esse trauma, o Damien ficou com muitos problemas, tem pesadelos constantes, mas enfim, só posso agradecer ao advogado, alias, meu amigo que conseguiu que uma mãe tivesse o direito de ter o seu filho.

Sâmia

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São Paulo, 03/03/2017.

Depoimento reproduzido com autorização da autora.

 

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